Ressaca: definição atual e suas implicações na pesquisa

2 agosto, 2019

Pesquisas discutem sobre a definição de ressaca e a importância da alcoolemia zero para os testes cognitivos e psicomotores.

A ressaca é normalmente definida como a soma de todos os efeitos negativos no dia seguinte ao consumo de álcool. Existia um consenso de que a ressaca teria início quando o álcool fosse totalmente metabolizado e eliminado do corpo e a concentração de álcool no sangue voltasse ao zero. Este conceito foi definido em 2010 pelo Alcohol Hangover Research Group (AHRG), criado para promover a pesquisa e a colaboração internacional, revisar e aprimorar os procedimentos metodológicos e o conhecimento geral sobre a ressaca. A justificativa para essa recomendação foi que, se a alcoolemia ainda não tivesse retornado ao zero, o álcool residual poderia afetar o desempenho dos indivíduos nos testes cognitivos.

De fato, pesquisas mostraram que alcoolemia baixa (0,02% a 0,05%) tem impacto negativo no desempenho cognitivo e psicomotor. O ponto crítico desses estudos é a forma como a alcoolemia é determinada. Em geral, as mensurações são indiretas e detectam o álcool presente no ar expirado, utilizando um etilômetro (“bafômetro”) ou na urina. Vale lembrar que, apesar de pesquisas anteriores mostrarem correlações altas entre alcoolemia e urina, existem diferenças relacionadas ao metabolismo do etanol: absorção na corrente sanguínea, decomposição em metabólitos pelo fígado e excreção via urina e tempo decorrido nestes processos. Dessa forma, é provável que ainda haja álcool no corpo mesmo quando não é mais detectável na respiração.

Em 2016, um consenso geral sobre a ressaca, para fins científicos, foi implementado por recomendação do AHRG, e estabeleceu-se uma definição para ressaca: a ressaca refere-se à combinação de sintomas físicos e mentais experimentados no dia seguinte a um único episódio de consumo de álcool e se inicia quando a alcoolemia está próxima de zero. Em medições feitas no ar alveolar, sangue e urina ( vários estudos) , observa-se um número significativo de indivíduos com álcool residual no sangue durante a ressaca, mesmo quando não foi detectado na urina e ar alveolar. No entanto, é improvável que essa quantidade de álcool residual afete o desempenho nas tarefas cognitivas e psicomotoras.

Additional Info

  • Referências:

    Merlo, A., Adams, S., Benson, S., Devenney, L., Gunn, C., Iversen, J., ... & Van De Loo, A. J. (2017). Proceeding of the 9th Alcohol Hangover Researc

Rua do Rócio, 423 Salas 1208/1209
São Paulo - SP - 04552-000

Tel: +55 11 3842.3388
contato@cisa.org.br

Assine o nosso Boletim

CISA, Centro de Informações sobre Saúde e Álcool